quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Congelado pelo vento

O inverno de 1984/85 estabeleceu numerosos recordes de ondas de frio em todo o território dos EUA, desde Michigan até o Texas. Foi a estação em que também ocorreu um dos mais notáveis casos de sobrevivência nos anais da medicina moderna.

Na manhã do dia 19 de janeiro de 1985, a temperatura em Milwaukee, Wisconsin, caíra a incríveis 60 graus abaixo de zero, um frio capaz de enregelar até os ossos. Enquanto seus pais dormiam, o pequeno Michael Troche, de 2 anos de idade, vestido com pijama leve, resolveu andar pela neve.

Encontrado pelo pai várias horas mais tarde, Michael estava literalmente congelado. Parara de respirar; cristais de gelo haviam se formado sobre e por dentro de sua pele; braços e pernas estavam rígidos como pedras.

Levado às pressas ao Hospital Infantil de Milwaukee, Michael foi tratado por uma equipe de vinte enfermeiras e dezoito médicos, inclusive o dr. Kevin Kelly, especialista em hipotermia. Quando ele chegou ao hospital, Kelly declarou-o "morto, definitivamente morto". Os médicos chegaram a ouvir o pobre corpinho congelado rachando, quando o levantaram para levá-lo à mesa de operação. E a temperatura interna da criança registrara 16 graus centígrados, um nível do qual ninguém jamais voltara vivo.

A equipe começou a trabalhar imediatamente, levando Michael para uma máquina respiratória para aquecer-lhe o sangue, injetando drogas para evitar que o cérebro inchasse, descongelando-lhe o corpo e fazendo incisões em seus membros e tecidos cheios de água de células congeladas, que ameaçavam arrebentar.

Durante três dias, o menino permaneceu em estado de semiconsciência, entre a vida e a morte. Então, milagrosamente, recuperou-se quase tão rapidamente quanto havia se congelado. Ele sofreu apenas pequenos danos nos músculos de uma mão e submeteu-se a enxertos de pele, para cobrir as grandes incisões feitas nos braços e pernas. Fora isso, por incrível que pareça, Michael não foi afetado pelo trauma que sofreu.

Além disso, o incrível Michael Troche não acusou nenhum sinal do tão temido dano cerebral que o teria transformado em vegetal. De modo irônico, os médicos disseram que ele talvez tenha sobrevivido justamente por ser tão jovem e tão pequeno. Congelado rapidamente pela baixíssima temperatura do vento, o pequeno cérebro e o reduzido metabolismo exigiram pouco oxigênio para operar. Se fosse um pouco mais velho e maior, o garoto teria se transformado em uma vítima do inverno.

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Fonte: O Livro Dos Fenômenos Estranhos - Charles Berlitz

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